A IMPORTÂNCIA DO CULTO DOMÉSTICO

A IMPORTÂNCIA DO CULTO DOMÉSTICO

   O pai arranha alguns acordes no violão antigo. Todos na sala cantam o hino. A mãe segura a melodia. Com as Bíblias abertas ouvem os comentários feitos pela voz grave do pai. No momento de oração, motivos de gratidão são lembrados e pedidos apresentados. No final, o filho mais novo observa que o pijama já está ficando curto.

Cenas como esta não podem faltar no enredo da família cristã. O culto doméstico, ao lado da devoção particular e da participação na igreja local, compõe a base de sustentação da espiritualidade cristã. Se considerarmos a coerência como o maior legado da família para a formação espiritual das novas gerações, a prática da adoração no lar será indispensável para registrar na memória dos filhos a consistência do testemunho dos pais.

Mas o culto doméstico não será uma prioridade enquanto não houver a devida compreensão bíblica da centralidade da adoração em família no plano de Deus para a humanidade. O cristão vive subordinado à certeza de que Deus governa a história. E é na vivência da fé em família que o cristianismo se fortalece. Herdada do povo judeu, a prática do culto no lar confere à igreja cristã sua autenticidade. A igreja, povo de Deus, nasce do Seu chamado a famílias. Se cremos que Deus age sempre através da família, é no ambiente familiar que devemos desfrutar da fé genuína que nos conduz na vida pública.

Na criação, a humanidade nasce como família, Adão e Eva. Antes do dilúvio, Deus levantou a família de Noé. Em Abraão, uma família abençoa todas as famílias da Terra. Para Moisés, a família foi canal de libertação do povo. Com a família de Davi é confirmada a esperança messiânica para todas as famílias. Jesus é Deus nascido em família. No Apocalipse, o céu é uma grande festa em família. Deus age através de famílias e espera que as famílias realizem Sua vontade no mundo.

O livro de Êxodo (1-2) narra como a família de Moisés tornou-se um canal para livrar o povo hebreu da opressão egípcia e realizar a promessa feita aos patriarcas. Ele concedeu saúde aos pais do menino tornando-os fecundos (1:9). Protegeu a criança no Rio (2:3) e agiu através do relacionamento com as parteiras (1:17). Aquela família levita sonhou ser usada por Deus (2:1), por isso o casamento foi aceito como compromisso de amor e serviço.

A fé cristã deve ser nutrida no lar. Quando nossa família enfrentar um tempo de mudanças boas e ruins, como foi com Moisés, deve priorizar a adoração em família. Se somos cristãos, cremos que Deus governa a história da nossa família. Se cremos assim, cultuamos a Deus no lar. O culto doméstico não é um mero ritual, é expressão de uma fé genuína, eficaz, viva. Martinho Lutero disse: “Ter um Deus é cultuá-lo”. Podemos acrescentar: “Ter um Deus é cultuá-lo em família”.

Estamos, portanto, diante de um grande desafio. Do tempo dos patriarcas até agora, a família vem sofrendo ataques e pressões. A maior ameaça é a perda do ambiente doméstico como espaço prioritário de vivência da fé. Independente da constituição e da fase pela qual passa sua família, será necessário priorizar um tempo de devoção no qual as ansiedades sejam lançadas ao pé da cruz. O foco não deve ser reproduzir ou repetir um padrão. Com paciência e flexibilidade e, sobretudo, com firmeza e determinação, será possível cultivar a unidade da família em torno da adoração ao Deus que a criou e sustenta.

Pr. Petrônio Borges

 

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