ESTAMOS EM REFORMA

Certamente, você já leu em algumas placas a seguinte advertência: “Estamos em reforma”. Muitas vezes, este aviso ao público que frequenta determinado espaço é acompanhado de outras declarações: “Desculpe-nos pelo transtorno”; “Para servir melhor”. Instituições que buscam servir melhor, cumprindo sua missão, constantemente promovem reformas, investindo muitos recursos nisso.


Na Igreja que se propõe a servir a Cristo e, por consequência, às pessoas que lhe são encaminhadas por Ele, a reforma deve ser contínua, ainda que incômoda. A reforma da Igreja não se completou em 31 de outubro de 1517, na cidade alemã de Wittenberg, quando Martinho Lutero publicou suas “95 teses”. Portanto, a Igreja verdadeira deve manter o aviso de que está em reforma. Esta reforma tem prazo para encerramento: o segundo advento de Jesus, quando Ele virá buscar a sua Igreja “gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Efésios 5:27).


Estamos em reforma porque ainda somos servos de Deus vivendo neste mundo mau. Somos tentados por Satanás, pelo mundo e pela carne. Precisamos rever atitudes, refazer posicionamentos, corrigir certos ensinos que não se coadunam com aquilo que está escrito na Palavra da Verdade. De fé em fé a vida cristã se processa até à consumação do plano de Deus na história.


A reforma evangélica não deve ser lembrada como um evento mas como um processo no qual a igreja humilde, perseverante e fiel ao seu Senhor continua “examinando as Escrituras todos os dias” (Atos 17:11). A adoração, o serviço, o ensino e a proclamação da Igreja devem ser marcados por sólida fundamentação bíblica.
Ainda precisamos de reforma neste tempo de crescimento da falsa fé. Assim como nos dias dos pré-reformadores (cristãos fiéis que antecederam a Reforma Protestante) e nos dias dos Reformadores, à nossa volta cresce a paganização do cristianismo: pessoas e lugares são sacralizados, Igreja e poder político celebram alianças, bens espirituais são vendidos no mercado religioso, o culto que é pensado para atender às expectativas das pessoas e não para glorificação do Senhor é muito popular, líderes religiosos se afirmam pelo poder econômico descolado da retidão de caráter. Enquanto a Bíblia não for suficiente para dirigir a Igreja e a fé em Cristo não for suficiente para dar segurança ao cristão, não poderemos retirar a placa com aviso acerca da reforma na qual a Igreja se encontra.


Originalmente atribuído ao líder evangélico holandês Gisbertus Voetius, “Ecclesia reformata et semper reformanda est” tornou-se um lema muito conhecido em diversos países durante a reforma que gerou a ruptura com o romanismo e o surgimento das primeiras denominações evangélicas. Sua tradução precisa ser lembrada a quem considera que a Reforma foi encerrada há 504 anos: “Igreja reformada, sempre se reformando”. Na verdade, precisamos nos parecer mais com o Reformador que se fez carne no século I do que com os reformadores do século XVI. Estes últimos entenderam que olhar para o primeiro traria muitos transtornos, todavia, assim, poderiam servir melhor.


Pr. Tarcísio Guimarães