Se há algo na vida que nos assusta, são as crises. Algumas podem até ser brandas, mas outras, literalmente, abalam nossas estruturas. Ninguém caminha sempre em linha reta. Todos nós, crentes ou não, encontramos curvas sinuosas na estrada e, se não estivermos firmes ao volante, podemos cair no precipício do desespero.
Em Atos 12 encontramos uma narrativa que ecoa fortemente essa realidade: a igreja primitiva enfrentava perseguições severas. Tiago, filho de Zebedeu, havia sido morto à espada, e Pedro estava preso, aguardando julgamento. Era um tempo de crise, marcado pelo medo, pela incerteza e pela aparente vitória das forças contrárias ao evangelho, personificadas no impiedoso Herodes Agripa I. No entanto, é justamente nesse cenário que se revela a força da fé e da oração comunitária.
O texto bíblico nos mostra que, enquanto Pedro estava encarcerado, “havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele” (Atos 12.5). Essa atitude é emblemática: diante da crise, o povo de Deus não se rendeu ao desespero, mas buscou refúgio na presença divina. A resposta veio de forma surpreendente: um anjo do Senhor libertou Pedro da prisão, demonstrando que, mesmo quando as circunstâncias parecem intransponíveis, Deus continua agindo.
Em tempos de crise, a tendência natural é ceder ao pânico ou à resignação. Contudo, Atos 12 nos ensina que a oração perseverante é capaz de transformar realidades. A crise não é o fim, mas um terreno fértil para a manifestação da graça. A libertação de Pedro não apenas fortaleceu a fé da igreja, como também serviu de testemunho de que o poder ilimitado de Deus é maior do que o poder limitado das trevas.
Esse relato nos desafia a refletir sobre nossas próprias crises, sejam elas pessoais, sociais ou espirituais. Vivemos em um mundo marcado pela instabilidade econômica, por conflitos políticos e por tensões culturais. Muitas vezes nos sentimos aprisionados por circunstâncias que fogem ao nosso controle. Contudo, assim como a igreja primitiva, somos chamados a responder com fé, unidade e oração.
A crise pode ser vista como um convite à dependência total de Deus. Ela expõe nossas fragilidades, mas também abre espaço para que experimentemos o sobrenatural. Quando a oração é compreendida como elemento fortalecedor, o impossível se torna possível. A história de Pedro nos lembra que nenhuma prisão é definitiva quando Deus decide agir.
Portanto, em tempos de crise, não devemos apenas lamentar ou temer. Devemos transformar nossas inquietações em oração, nossa fraqueza em confiança e nossa dor em esperança. Assim, o texto de Atos 12 nos ensina a crer que, mesmo nas noites mais sombrias da existência, há sempre um anjo a caminho, a fim de renovar a certeza de que o Senhor reina soberano sobre todas as coisas.
Confiemos e oremos. Oremos e confiemos. Não há crise capaz de deter o louvor de uma alma que a enfrenta não com as próprias forças, mas com o poder extraordinário daquele a quem pertence toda a glória.
Que o Senhor nos abençoe!
Pastor Alex Oliveira – vosso servo!