NÃO TEMOS OPÇÃO.

Todo início de ano nos traz uma pergunta inevitavelmente provocadora: para que estamos vivendo? A Igreja de Jesus não atravessa os anos apenas acumulando agendas, projetos ou atividades. Ela atravessa o tempo como um povo enviado, sustentado por uma missão que não começou conosco e não terminará em nós.

Neste dia, ao comissionarmos nossos adolescentes e jovens para os projetos missionários, declaramos algo que precisa ser entendido com clareza e maturidade espiritual: a Missão não é uma fase da vida cristã; é a própria expressão dela.

Jesus não deixou espaço para interpretações confortáveis, ele afirmou, com autoridade incontestável: Mateus 28:18 – Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. (19- Ide…)

A igreja vai porque Cristo reina. E Ele reinando, não há neutralidade possível.
Não somos chamados a admirar a missão, mas a obedecê-la. O comissionamento, portanto, não é um gesto simbólico nem uma cerimônia emocional; é um ato público de submissão à vontade soberana de Deus.

Desde os primeiros dias da igreja, o avanço do evangelho sempre esteve ligado à disposição de jovens homens e mulheres que compreenderam que seguir Jesus custaria tudo e, ainda assim, valeria a pena: “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” . (Atos 13:2)

O Espírito continua chamando e a pergunta que permanece é: ainda estamos dispostos a ouvir?

O evangelho chegou até nós porque alguém foi. Alguém deixou sua zona de conforto, enfrentou riscos, perseguições e perdas, crendo que a glória de Deus era mais valiosa do que a própria segurança. Nada mudou desde então. A missão nunca foi segura; sempre foi necessária.

Por isso, quando enviamos nossos adolescentes e jovens, não estamos apenas os abençoando para dez dias de projeto, estamos afirmando que o cristianismo não pode ser reduzido a eventos, e que a fé genuína se manifesta em uma vida inteira orientada pela missão de Deus.

Jesus foi ainda mais profundo ao declarar aos seus discípulos em João 20:21 – “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.”

O padrão do nosso envio é o próprio Cristo — enviado ao mundo não para ser servido, mas para servir; não para preservar a si mesmo, mas para entregar a própria vida.

Ser enviado, portanto, é assumir que o evangelho molda nossas escolhas, nossos afetos, nossa rotina e nosso futuro.

O projeto missionário tem data para começar e terminar. A Missão, não. Ela continua quando o entusiasmo passa, quando o cansaço chega e quando a vida comum retoma seu ritmo. É justamente aí que a fidelidade costuma ser mais exigida.

Que este culto de comissionamento não seja lembrado apenas como o início de um projeto, mas como um marco de consciência espiritual para toda a igreja. Que sejamos um povo que entende que viver para si mesmo nunca foi uma opção para quem foi alcançado pela graça. (Rm 10:15)

Que sejamos uma igreja que envia, porque compreende que o evangelho sempre avança, e que Deus, por pura graça, escolheu nos incluir nesse avanço.

Pastor Alex Oliveira – vosso servo!