UMA FESTA CULTURAL, SERÁ?

Todos nós sabemos que o Brasil é reconhecidamente um país de cultura festiva. O povo brasileiro é alegre por natureza e carrega em sua história uma grande mistura de povos, crenças e tradições. Isso possui aspectos positivos, mas também torna difícil separar completamente determinados elementos culturais da religiosidade, que igualmente possui forte influência por aqui.

O catolicismo romano, ao longo da história, em seu esforço de incorporar e manter diferentes expressões populares sob sua influência, acabou atribuindo caráter religioso a práticas que, sob um exame mais cuidadoso das Escrituras, poderiam ser questionadas por muitos cristãos. Dessa forma, certos costumes passaram a ser mais facilmente aceitos no contexto religioso brasileiro, embora não por todos, obviamente.

As festas juninas são um exemplo disso. Embora frequentemente apresentadas como expressão cultural, carregadas de cores, músicas e tradições populares, quando analisadas à luz da fé bíblica, levantam questionamentos sinceros e profundos: seriam apenas celebrações folclóricas ou carregam elementos que confrontam princípios espirituais e bíblicos?

Historicamente, essas festividades possuem raízes que remetem a antigas celebrações europeias em homenagem à deusa Juno, relacionadas ao período das colheitas. Inclusive, o nome do sexto mês do calendário romano, posteriormente preservado tanto no calendário juliano quanto no gregoriano, a saber, junho, foi associado a essa deusa. Posteriormente, foram incorporadas ao calendário religioso cristão popular homenagens a figuras como Santo Antônio, São João e São Pedro. No Brasil, chegaram com os portugueses por volta do século XVII e, ao longo do tempo, incorporaram-se características regionais como quadrilhas, balões, fogueiras e comidas típicas.

A questão que se impõe é: pode o cristão bíblico participar de algo que possui origens pagãs e que, em alguns contextos, ainda preserva práticas devocionais?

A Bíblia afirma: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo” (1 João 2:15). O texto não condena a cultura em si, mas alerta contra tudo aquilo que desvia a glória de Deus para os ídolos. Quando determinadas práticas assumem caráter devocional, como pedidos dirigidos a santos ou símbolos associados a atribuições espirituais, deixa-se o campo do simples folclore e entra-se numa dimensão religiosa. Isso confronta diretamente o primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3).

Além do aspecto religioso, pode-se observar também certas caricaturas presentes em algumas encenações tradicionais. O homem do campo, por exemplo, responsável por parcela significativa do pib nacional, por vezes é retratado de maneira inferiorizada e estereotipada. O casamento, instituição honrada por Deus, em algumas apresentações aparece como imposição ou motivo de humor, o que pode contribuir para a banalização de valores importantes.

É verdade que muitos defendem essas festas apenas como expressão cultural. Entretanto, cultura não deve ser aceita sem reflexão. O apóstolo Paulo nos lembra: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm” (1 Coríntios 6:12). O desafio do cristão é discernir entre aquilo que é tradição social e aquilo que compromete sua fidelidade ao Senhor.

Portanto, mais do que uma simples festa cultural, as festas juninas possuem raízes históricas e religiosas que merecem consideração cuidadosa. Cabe ao cristão comprometido com as Escrituras recusar sua participação e garantir que suas celebrações glorifiquem a Deus.

Como disse John Stott: “Não devemos preservar nossa santidade fugindo do mundo, nem sacrificá-la nos conformando a ele.”

Que Deus nos abençoe a cada dia!

Pr. Alex Oliveira – vosso servo!