MAIS QUE VENCEDORES
O esporte como metáfora da vida cristã não é novidade, nem representa mundanismo, pois o apóstolo Paulo toma de empréstimo exemplos do mundo esportivo de dez a doze vezes em suas cartas. Assim, aproveitando este momento em que o Brasil e o mundo se voltam para essa competição esportiva planetária, a Copa do Mundo de Futebol, temos a oportunidade de extrair algumas lições que podem nos ajudar na corrida espiritual. Uma delas é que, para sermos mais que vencedores, precisamos entrar em campo, pois não será mais que vencedor quem for mero espectador. Dessa forma, uma das metáforas que encontramos está em 1 Coríntios 9.24-27. Na verdade, essa ilustração serve para reforçar princípios ensinados nos capítulos 8 a 10, nos quais Paulo fala da liberdade cristã e do amor ao próximo.
Quatro lições podem ser extraídas dessa ilustração e podem nos ajudar na carreira cristã.
Lição número 1: Entrar em campo tendo como objetivo claro vencer. “Vocês não sabem que, de todos os que correm em uma competição, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem o prêmio.” A pergunta que se faz é: qual é o seu objetivo ao empreender a caminhada cristã? Você sabe aonde realmente deseja chegar? Se não sabe, está prestes a sofrer uma grande derrota, em todos os sentidos.
Lição número 2: A disciplina é fundamental para quem quer vencer. “Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso.” (v. 25) Considerando os Jogos Ístmicos, aos quais Paulo se refere nessa ilustração e que eram bem conhecidos dos coríntios, ele quer dizer que, assim como os atletas precisavam treinar ao máximo para estarem preparados, os coríntios e todos os crentes em Cristo Jesus precisam se exercitar ao máximo para vencer a corrida cristã. Lembrando que, quando se tem um objetivo, fica mais fácil ter disciplina, pois quem não tem objetivo não sabe o que fazer para alcançá-lo.
Lição número 3: Disposição para fazer renúncias em prol da vida espiritual. “Sendo assim, não corro como quem corre sem alvo e não luto como quem esmurra o ar. Contudo, esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser desqualificado.” (vv. 26-27)
Uma vez que não há disciplina, fica evidente que não haverá disposição para renunciar aos apetites carnais e às ofertas do mundo. Os coríntios demonstravam não ter disposição para renunciar às pressões do mundo, nem a qualquer coisa que pudesse afetar o irmão mais fraco e o progresso do evangelho.
Por essa razão, o apóstolo Paulo, que tinha um objetivo claro quanto ao evangelho, mostra nos versículos 1-23 que estava renunciando não apenas ao mundo, mas também a direitos que lhe eram assegurados pela própria Palavra de Deus, para não comprometer o progresso do evangelho.
É interessante observar que aqueles que desejam ser mais que vencedores não renunciam apenas ao que possa afastá-los de Deus e da sua vontade, mas também àquilo que é lícito, quando isso pode comprometer a causa do evangelho.
Lição número 4: Considerar que a verdadeira vitória é a coroa eterna em Cristo Jesus, nosso Salvador e Senhor. Ao apelar aos coríntios para que soubessem aonde desejavam chegar, tivessem disciplina e capacidade de renúncia, Paulo mostra que, diferentemente dos atletas do seu tempo e também dos nossos dias, que lutam por uma coroa corruptível, nós lutamos por uma coroa imperecível.
Sim, só seremos mais que vencedores na competição espiritual se estiver bem claro para cada um de nós aonde queremos chegar; se tivermos disciplina; se estivermos dispostos a renunciar não apenas ao mundo, mas a tudo o que possa impedir o progresso do evangelho; e, claro, se tivermos como expectativa a coroa imperecível que o Senhor tem para os que forem fiéis até a morte.
Paulo desejava que seus discípulos fossem mais vencedores do que os atletas em suas competições, pois, no final das contas, é isso que realmente importa, seja para eles, seja para nós. De um servo que está na corrida cristã como você,
Pr. Jackson Andrade