QUEM LUCRA COM O CARNAVAL?

QUEM LUCRA COM O CARNAVAL?

 

    Notícias recentes apontam os elevados gastos que os governos autorizaram para montagem da infra-estrutura do carnaval por todo o Brasil, mesmo num contexto de penúria generalizada. O Ministério Público tem recomendado veementemente que sejam diminuídos ou extinguidos os gastos públicos com o carnaval. A Polícia já se prepara para receber as pessoas que serão presas no circuito carnavalesco e em algumas cidades até conta com o apoio do Exército e da Marinha. As Secretarias de Saúde estão em alerta diante do risco de proliferação das doenças infecto-contagiosas, sexualmente transmissíveis e outras decorrentes de acidentes. Nas rodovias monta-se operação especial para impedir a livre circulação das drogas que abastecerão as ruas nos dias de carnaval. Os “bafômetros” estão preparados para a constatação de muitos casos de embriaguez ao volante nas principais rodovias do país.

Quem lucra com a realização do carnaval? Certamente não é o catador de latinhas acompanhante da massa eufórica, que vai tão somente continuar sua “via crucis” de miséria, subemprego e insegurança social. Não creio que o lucro fique com os barraqueiros, que perderão horas com bêbados indesejáveis em seus estabelecimentos. As prostitutas perderão mais um pouco de dignidade. Alguns pais perderão seus filhos para a violência inflamada pelos sons do carnaval. Alguns filhos perderão a inocência roubada pela sexualidade desregrada, tão celebrada nas letras das músicas de carnaval. Outros perderão o controle com os gastos impostos ao folião, e muitos outros perderão completamente o temor a Deus, ao vestirem a fantasia que esconde o rosto e faz surgir um ser sem regras a cumprir. Até mesmo a feitiçaria e a idolatria serão festejadas como manifestações naturais da cultura popular.

Não é o nosso povo que lucra com a realização do carnaval. Lucra com o carnaval a indústria do entretenimento e sua tentativa de provar que viver é satisfazer sempre o prazer particular, de modo imediato e inconsequente. Lucra a grande indústria do vício, patrocinadora fiel do carnaval, festa que turbina a venda de bebidas alcoólicas e entorpecentes. Lucra a grande mídia pornográfica, que vive de toda sorte de apelação à sexualidade. Lucram as empresas responsáveis pela profissionalização do carnaval, a exemplo de gravadoras e agências de publicidade. Ou seja, ganha dinheiro quem já tem muito dinheiro, a despeito de toda criminalidade, imoralidade e irracionalidade que vão atrás do trio elétrico.

Ao contrário daquilo que é divulgado abertamente, o carnaval não é a festa do povo, feita de alegria e descontração. O carnaval é, antes de tudo, a festa que separa ricos e pobres ao longo das cordas de blocos elitizados. Longe de ser um divulgador da nossa cultura, é um meio de empobrecer a tão deficiente formação educacional do nosso povo, com letras de músicas mal escritas e exaltação de artistas com péssima formação intelectual. É a festa do pecado, inadequada àquele que já foi regenerado por Cristo, diante da qual devemos manter firme reprovação e atitude de oração em prol daqueles que caminham embalados em seus acordes infernais.

Nestes dias de grande tristeza, perguntemos a quem nos cerca sobre o lucro do carnaval e apresentemos o verdadeiro ganho nesta vida, que é conhecer Cristo e servi-lo com alegria. Sejamos “filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo” (FILIPENSES 2:15).

 

 

Pr. Tarcísio Farias Guimarães

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