A TRANSMISSÃO DA FÉ  À PRÓXIMA GERAÇÃO

Eu tenho cinquenta e cinco anos de idade. Acabei de completá-los no último dia 07. De vez em quando me pego fazendo uma avaliação de minha vida; afinal, cinquenta e cinco anos não são cinquenta e cinco dias. Muito do que sou e apresento como padrão comportamental adquiri vivendo. Meus princípios e valores, muitos deles implementados em meu estilo de vida por meio da leitura da Palavra e da práxis cristã, têm tornado minha vida mais equilibrada. Tenho um casamento sólido, filhas que têm crescido na igreja e um ministério regado pela misericórdia de Deus. Ai de mim se assim não fosse, rs!

                Mas, e o amanhã? O que tenho feito ou deixado para as próximas gerações? Por próximas gerações, refiro-me às minhas filhas. Será que a forma como tenho tentado viver minha fé e aquilo que tenho ensinado sobre ela conversam entre si? Será que posso assumir, de fato, que minhas filhas irão dar continuidade àquilo que um dia eu e a mãe delas iniciamos? Afinal de contas, não há dúvidas de que tudo o que temos vivido como família é, indiscutivelmente, produto da boa mão do Senhor sobre nós.

Em suma, o evangelho funciona. Todos os ensinamentos de Jesus Cristo são eficazes, e feliz é a família que entende isso. Mas como irão entender se não houver quem entenda primeiro e, principalmente, quem ensine primeiro?

                Transmitir a fé às próximas gerações não é tarefa das mais fáceis. O mundo é desafiador, e a permissividade do tempo presente torna as coisas ainda mais difíceis. Mas, se deu certo no passado, por que não daria agora? Afinal de contas, quem é mais forte: o mundo ou a Palavra? O inimigo ou o Espírito Santo? Se a ordem é ensinar os filhos a Palavra de Deus, inculcando-a em seus corações, seria Aquele que ordenou incapaz de fazê-la frutificar? Seria o deus deste século mais eficaz em suas intermináveis tentativas de impedir a salvação de nossos filhos do que a graça oferecida por Aquele que morreu por eles? Seriam os dardos inflamados do maligno mais poderosos do que a dinamite do Altíssimo?

                É evidente que a conversão de nossos filhos é obra exclusiva do Espírito Santo de Deus. É Ele quem convence o homem do pecado, da justiça e do juízo, e nossos filhos figuram nessa lista. Já se disse que Deus não tem netos, e cada um de nossos filhos dará contas de si mesmo a Deus. Mas é indiscutível o fato de que o ensino da Palavra em todas as suas configurações, é tarefa de cada pai e mãe. Terceirizar isso não funciona.

                A igreja constitui-se em uma grande parceira, mas ela não é a professora por excelência. Deus não ordenou que os filhos fossem ensinados pelos pastores. Ele não citou o nome de Moisés como o grande responsável pela educação religiosa dos filhos dos israelitas. A tarefa seria de cada pai e mãe. É na família que tudo acontece. A nova geração está lá.

                Falemos das boas-novas aos nossos filhos. Creiamos que Deus é poderoso para fazer as sementes germinarem. O time do coração, a profissão e até mesmo o temperamento são facilmente transmitidos. Nenhum deles, porém, prepara para a eternidade. Somente o evangelho ensinado e inculcado na mente dos nossos filhos pode produzir neles fé salvadora, e isso é o que a próxima geração mais precisa.

                A próxima geração não precisa apenas de heranças materiais, oportunidades ou bons conselhos; ela precisa de um encontro verdadeiro com Cristo. Casas são construídas com tijolos, mas famílias são edificadas pela Palavra. Um dia nossa voz se calará, nossos passos cessarão e nossa presença será apenas memória; contudo, aquilo que ensinamos acerca de Deus poderá continuar ecoando nos corações de nossos filhos e dos filhos deles. Que a nossa maior preocupação não seja apenas deixar algo para a próxima geração, mas deixar algo na próxima geração: a fé em Jesus Cristo, o amor pelas Escrituras e a convicção de que servir ao Senhor continua sendo o melhor caminho. Afinal, gerações passam, culturas mudam e os tempos se transformam, mas a Palavra do nosso Deus permanece para sempre.                                                                                                                                                                                                          

Pr. Alex Oliveira – vosso servo!