NEM MAIS, NEM MENOS!

O texto de Atos dos Apóstolos capítulo quinze, versículos um a trinta e cinco marca um dos momentos mais importantes e decisivos da história da igreja. Diante da tentativa de impor a circuncisão e a consequente judaização da fé como condição para a salvação por parte de algumas lideranças da igreja de Jerusalém, os apóstolos e líderes da igreja se levantaram com firmeza para preservar a simplicidade do Evangelho. A conclusão foi clara: não se deve colocar sobre os discípulos, no caso, os crentes gentios, um jugo que nem mesmo os próprios judeus conseguiram suportar. O centro permanece inegociável. O Evangelho é Cristo, nem mais, nem menos! Qualquer anexo deve ser rejeitado como algo necessário à salvação.

O grande problema é que essa proposta não ficou relegada ao passado. Ainda hoje, há quem insista em complicar aquilo que Deus fez de forma simples. Nos dias de hoje, muitos insistem em acrescentar normas, tradições, costumes e exigências que vão além das Escrituras, criando fardos pesadíssimos que o próprio Deus nunca colocou sobre aqueles que o servem. Sem perceber, a boa notícia é transformada em um conjunto de regras, e o que deveria gerar vida passa a produzir cansaço e medo, criando uma atmosfera de tensão. O resultado são pessoas sobrecarregadas, comunidades presas a formalismos, e uma fé que, aos poucos, perde completamente o brilho da graça.

O Evangelho não precisa de complementos. Não é Cristo mais alguma coisa, seja cultura, performance ou mérito pessoal. É Cristo somente. Toda tentativa de se aperfeiçoar o evangelho acaba, na prática, distorcendo sua principal mensagem. Como o apóstolo Paulo advertiu com seriedade, não há espaço para outro evangelho. A mensagem permanece simples e suficiente: arrependimento e fé em Jesus.

Quando complicamos o Evangelho, revelamos mais do que um erro teológico. Acabamos por expor uma dificuldade de confiar unicamente na obra de Cristo. É como se, no fundo, acreditássemos que ainda falta alguma coisa a ser feita. Mas a cruz declara exatamente o contrário: a obra está completa. Insistir em acrescentar algo é substituir a graça por esforço humano e a liberdade por religiosidade.

A decisão do concílio em Jerusalém foi sábia e segura: não impor fardos desnecessários ao povo de Deus. Essa continua sendo uma necessidade urgente para a igreja de hoje. É tempo de remover os excessos, abandonar os pesos indevidos e voltar ao essencial, a saber, Jesus Cristo, crucificado e ressurreto.

Por isso, não mudemos o evangelho. Preguemo-lo com clareza, vivamo-lo com simplicidade e preservemos sua pureza. Não acrescentemos, nem diminuamos nada. Apenas anunciemos: Cristo salva, Cristo liberta, Cristo basta! Esse é o Evangelho que transforma vidas e é o único que permanece.

Que o Senhor nos abençoe!

Pr. Alex Oliveira – vosso servo!