O evangelho de Lucas é o evangelho da nossa humanidade. Como médico, Lucas procura retratar nossa miséria e como ela é absorvida por Jesus que leva sobre si todas as nossas dores. Ele procura mostrar a intensidade de nossa dor e como a presença de Jesus a ameniza, seja em um contexto individual ou coletivo. Assim, no capítulo 4 de seu evangelho, versículos 38 e 39, o médico amado nos mostra uma cena comovente: Jesus entrando na casa de Simão e encontrando sua sogra enferma, tomada por uma febre intensa. Esse tipo de febre, naquele contexto, muitas vezes era fatal. Não se sabe qual a causa, mas o foco está em Jesus e no que ele irá fazer e não no diagnóstico. O Mestre se aproxima, repreende a enfermidade e, imediatamente, aquela senhora é curada. Em seguida, levanta-se e passa a servi-los. Um milagre acaba de acontecer. Esse relato simples, mas profundo, nos revela que Cristo não apenas visita lares, mas transforma realidades familiares.
Quantas casas, infelizmente, têm se tornado lugares de dor, conflitos e enfermidades — não apenas físicas, mas também emocionais e espirituais? A febre da ansiedade, da indiferença, a ferida do ressentimento e a frieza espiritual têm mantido muitas almas acamadas, inoperantes e sentenciadas à morte relacional. Aliás, essa tem sido a triste realidade de muitas famílias: aparentemente vivas por fora, mas completamente mortas por dentro. Mas, quando Cristo entra de fato, tudo muda. Ele traz cura, paz e restauração. A febre desaparece, e o que se vê são vidas transformadas e pulsantes. Sua presença é capaz de transformar o ambiente mais pesado em um lugar de esperança e serviço.
O texto de Lucas nos ensina que a cura é possível quando Cristo não é um mero coadjuvante na casa, mas a presença principal. O grande problema hoje reside no fato de que, em muitos lares, Cristo é apenas um retrato na parede ou um adesivo na porta. Na casa de Simão, Ele entrou; mas, em muitas casas, permanece do lado de fora. Canta-se sobre Ele, lê-se sobre Ele e até se fala sobre Ele, mas não se vive um relacionamento real com Ele. Um lar que recebe Jesus de fato sente os efeitos de sua presença. Ele se torna um espaço de amor, perdão e comunhão. É no ambiente familiar que aprendemos a servir uns aos outros, refletindo o caráter de Cristo.
Por isso, abramos as portas de nossas casas para o Senhor. Não basta que Ele seja apenas lembrado nos cultos ou em momentos de necessidade. Cristo precisa ser o centro da vida familiar, aquele que orienta decisões, fortalece relacionamentos e sustenta os vínculos. Quando a Palavra de Deus é vivida no lar, quando a oração é cultivada e quando o amor de Cristo é praticado, a família se torna um testemunho vivo da graça de Deus. É uma família curada, restaurada e remida.
Nossas famílias precisam de Cristo. Somente Ele pode repreender nossas febres existenciais, dissipar as trevas da incompreensão e transformar o lar em um lugar de paz e refrigério. Que possamos, como a casa de Simão, experimentar o poder restaurador do Senhor e nos levantar para servi-Lo. Que cada família seja marcada pela presença de Cristo e se torne um remédio para um mundo cada vez mais enfermo!
Pr. Alex Oliveira – vosso servo!