SEMPRE EM REFORMA

SEMPRE EM REFORMA

 

No dia 31 de Outubro, relembramos a publicação de 95 teses escritas por Martinho Lutero em Wittenberg, Alemanha, cidade na qual atuava como professor de teologia e da qual ecoou fortemente mais uma rejeição à venda de indulgências pela Igreja Romana. Naquela época, o principal objetivo a ser alcançado com a gananciosa venda do perdão divino era a construção da Basílica de S. Pedro, edificação que está localizada na Praça Central do Vaticano.

Dentre as teses de Lutero, destaco as seguintes: “Qualquer cristão verdadeiro, seja vivo, seja morto, tem participação em todos os bens de Cristo e da Igreja, por dádiva de Deus, mesmo sem carta de indulgência” (TESE 37); “Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus” (TESE 45); “Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia pelas mesmas” (TESE 52); “O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus” (TESE 62).

Outras teses de Lutero demonstram que ele mesmo ainda mantinha algumas posições católicas. Destaco aqui dois exemplos: “E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas? Dizem que este não foi o caso com S. Severino e S. Pascoal” (TESE 29); “Mesmo assim, a remissão e participação do papa de forma alguma devem ser desprezadas, porque (como disse) constituem declaração do perdão divino” (TESE 38). Estudando as Escrituras, Lutero iniciou uma bela caminhada de reforma do seu pensamento e procedimento. Todavia, ainda adotava doutrinas e práticas católicas que não encontram fundamentação bíblica: sacramentos, batismo infantil, união com o Estado, perseguição aos dissidentes, clericalismo etc. Esta é uma viva demonstração de que não devemos idealizar Lutero e a Reforma Protestante. Devemos agradecer a Deus pela corajosa iniciativa e continuar buscando sempre a reforma da Igreja, a partir do seu fundamento intransponível que é Cristo revelado em sua Palavra (I Coríntios 3:11).

Antes de Lutero, John Wycliffe morreu na Inglaterra em 1384, sob a acusação de heresia. Jan Hus foi queimado vivo na Suíça em 1414, por professar a fé evangélica. Paul Craw foi queimado vivo na Escócia em 1433, numa condição semelhante. Depois de Lutero, padeceram perseguições outros crentes e grupos puritanos, independentes, metodistas, batistas etc. Os batistas, que não são protestantes por não terem surgido de um cisma com a Igreja Católica e por não terem reproduzido integralmente a Teologia das primeiras igrejas da Reforma, são herdeiros deste movimento porque reafirmaram várias verdades proclamadas por pré-reformadores e reformadores, em especial a autoridade das Escrituras Sagradas em matéria de fé e prática.

A Reforma foi justificada por tudo aquilo que mais uma vez justifica nosso anseio por reforma nestes dias difíceis: afastamento da Escrituras, com culto à personalidade e busca por entretenimento na Igreja; desprezo à sã doutrina, com a moderna venda de indulgências na forma de sabonetes, fitas, toalhas “ungidas” e outros elementos comuns na prática neopentecostal; relativismo moral, inclusive das lideranças eclesiásticas; descrédito social frente aos descaminhos das denominações cristãs; espiritualidade superficial, resultante da ditadura das emoções.

É preciso repetir vigorosamente ROMANOS 1:17, como fez Lutero, e relembrar o lema adotado por Gisbertus Voetius: “Igreja reformada sempre se reformando” (Gisbertus Voetius). Com humildade, firmados na Palavra de Deus, vivamos sempre em reforma!

 

Pr. Tarcísio F. Guimarães

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